Quais impressões os mais importantes escritores brasileiros levaram da escola? De que forma os processos de aprendizagem pelos quais passaram deixaram marcas em suas obras? As respostas podem ser descobertas na leitura dos cinqüenta textos que compõem o livro A Escola e a Letra, organizado por Flávio Aguiar e Og Doria, e publicado pela Boitempo Editorial. O lançamento em São Paulo, que acontece dia 1º de abril, terá a leitura de textos por escritores como Anfonso Romano de Sant'Anna e Roniwalter Jabotá.
São contos, crônicas, trechos de romances e memórias que juntos formam um panorama dos pontos de vista de autores como Machado de Assis, Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Rubem Braga, Clarice Lispector, Osman Lins, Rubem Fonseca, Vinícius de Moraes, Nélida Piñon, Moacyr Scliar, João Ubaldo Ribeiro, Luis Fernando Verissimo, entre outros, sobre a escola.
Dividido em quatro partes, o livro está organizado em blocos, por data de publicação dos textos em livros e jornais. A primeira parte focaliza os povos nativos antes da chegada dos europeus, embora por meio de um texto literário escrito posteriormente. A segunda, os tempos coloniais, com textos que vão do século 16 ao final do 18. A terceira, o Império, no qual se encontram textos sobre o tempo em que este era o regime vigente no Brasil, escritos durante o período ou depois dele. A quarta e última parte, a República, com textos que abrangem as diferentes fases e ditaduras compreendidas dentro do período republicano, de sua instauração aos dias de hoje.
“O leitor que empreender a travessia desses textos em seu conjunto sairá com a impressão de que quase todo escritor brasileiro tem um professor, um colega, um pedaço de escola a recordar e que aí, ou com esse personagem, se deu algo da escolha de escrever”, avalia Flávio Aguiar:
A Escola e a Letra tem projeto gráfico de Ricardo Ohtake e foi padronizado pelas regras do novo acordo ortográfico.“Seja por que prisma for, irônico, trágico, cômico ou lírico, a evocação da escola aparece na pena (hoje teclado ou tela) de um grande número de escritores como a renovação de um compromisso de origem dentro de um processo geral de mudança ou modernização, assolados que somos por tais esforços desde os tempos coloniais”, reflete o trecho da apresentação de Flávio Aguiar.
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